O DESANUVIO

Sabe quando os pensamentos resolver dar looping na cabeça? Pois é. A dela estava assim. Ela estava – fisicamente – no paraíso: um dia lindo, mesmo que com um sol tímido escondido dentre as nuvens. O mar, de tão verde, contrastava com o céu de maneira inacreditável. Mas dentro dela estava chovendo. Uma tempestade, eu diria.

Mas isso acontece quando a cabeça está cheia. Falas de um diálogo recente se repetiam em sua cabeça e ela tentava processar tudo aquilo – daí o looping. Não estava triste, nem nada disso. Só estava com a cabeça cheia de coisa que não prestava. Precisava limpar, fazer faxina, jogar coisas fora. Normal. A mente fica suja da mesma maneira que uma pia na qual pratos ficam empilhados. A limpeza deve ser constante.

De fundo, tocava uma música melancólica. Ela, sentada, observando o horizonte mesclado de verde e azul, até abriu um sorriso quando percebeu que aquela cena poderia ser de um clipe de música pop brasileira, daqueles bem bregas. Ou mesmo o clipe daquela música melancólica mesmo. Riu também ao lembrar que vivia fingindo estar em um clipe quando era mais nova. Sorriu ao deixar que um pensamento bem humorado se aproximasse.

Respirou fundo. Olhou para a frente. Disse a si mesma, em pensamento, que algumas coisas tinham que mudar. Tomou coragem. Tudo numa fração de segundo. E foi aí que aconteceu: o sol apareceu e refletiu no mar de maneira que tudo se iluminou. As nuvens foram embora, o sol veio forte e imponente. As águas dançavam, refletindo a cor dourada do astro. Ela pensou: “Eu jamais vou conseguir descrever esta cena.”

Depois, já não pensou mais nada. Já não ouvia a música, já não sentia gostos, já não lembrava de seus problemas, já não tinha passado ou futuro. Ela estava presente. Totalmente presente. Entregue ao que depois considerou um espetáculo da natureza que se deu ali, só para ela.

O corpo dela esquentou. A alma se aquietou. A tempestade cessou. Da mesma maneira que o sol inundou o mar, a paz inundou a moça. Não sei quanto tempo durou aquilo. Para mim, poucos minutos. Para ela, muito mais. Ela ficou parada, incrédula, vendo o cenário se transformar, bem diante dos seus olhos.

E, depois, sentiu que o mar estava a chamando. Não pensou duas vezes: se jogou nas águas frias do inverno. Não sentiu o choque. Não reclamou do frio. Ao recuperar o fôlego ao vir de encontro ao ar, sorriu. Agradeceu. Sabia que estava limpa. Sabia que estava nova. Sabia que podia começar de novo.

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DA INFÂNCIA

Quando eu era criança, gostava de dias de chuva ao andar de carro. Olhava as gotas na janela apostando corrida e os desenhos que se formavam delas a partir do vento que as tocava. Hoje, adulta, não tenho como olhar o transcorrer das gotas: preciso que o para-brisa as interrompa para que eu possa enxergar o trânsito enquanto dirijo.

Também não posso ter múltiplas profissões: ser professora, médica, secretária e mãe de família numa tarde só, como fazia nas doces brincadeiras. Brincava de escolinha, de consultório, de empresa e boneca. Hoje preciso decidir uma profissão e seguir em frente com ela.

Ser adulto nos priva de muita coisa. Mas talvez seja só a vida querendo mostrar a que veio. O importante, creio eu, é sermos donos dela, sem perder o que, na essência, faz parte de nós.

Eu gostava de imaginar meu futuro também. Mas olha, isso a infância não me roubou. Continuo sonhando. As escolhas que faço hoje tem muito de responsabilidade – além de incertezas, de medos, de inseguranças – mas ainda levam a doçura daquela menina que fui um dia.

E acho que é isso que faz a vida ser assim: bonita. As milhões de possibilidades e as escolhas que podemos fazer todos os dias. Respire fundo e siga em frente: do que sua criança quer brincar hoje?

IPÊ AMARELO

A minha primeira ida a Belo Horizonte foi marcada por um episódio tão doce quanto o cafezinho que lá me recebeu. Um acontecimento que poderia ter passado despercebido, mas que, por sorte, meus olhos curiosos e atentos conseguiram captar.

Eu estava dentro do avião, já sobrevoando solo mineiro, com o rosto quase que grudado na janela. Devo dizer que sempre adorei ficar sentada na janela do avião, me apaixonando por aquela imensidão de céu azul, me derretendo com as nuvens de algodão doce ou me impressionando com a vastidão do mar e toda a sua beleza vista lá de cima.

Neste dia eu reparei nas árvores. Estávamos sobrevoando uma área bastante verde, com árvores de diferentes espécies. E meu olhar caiu em um pontinho amarelo, em meio daquela verde imensidão. O avião se aproximava do solo, as árvores iam crescendo de tamanho e o pontinho amarelo se revelou um lindo Ipê.

Devo dizer, também, que sempre gostei de Ipês. São árvores que lembram a minha infância e sempre trazem um quentinho para o coração,  por causa de memórias afetivas tão gostosas. Já vi muitos Ipês, de diversas cores, em diversos lugares. Mas nunca vi um Ipê tão bonito quanto aquele.

Aquele era único. Era amarelo, mesmo que todas as árvores ao redor fossem verdes. Era amarelo sozinho, sem precisar de companhia. Chamava atenção, mas não de qualquer um. Só quem tinha sensibilidade suficiente era capaz de olhar para ele e ficar arrepiado. Um espetáculo grandioso, que reverenciei com calma e encanto.

Foi lindo ver aquele Ipê Amarelo. Todo imponente, vestido de dourado. Todo resistente e forte. Todo poesia. Para mim, aquele ipê era o símbolo da individualidade, a beleza da singularidade, a sutileza do contraste.

FALTA DE AR

Acordei precisando respirar. Obviamente, estava tudo bem com as minhas vias respiratórias, mas algum bloqueio, vindo de algum lugar, me fechava a garganta. Precisava respirar mais ar do que aquele que chegava aos meus pulmões nesta manhã. O calor escaldante que anda fazendo na cidade de São Paulo veio atrapalhar bastante esta tarefa. Aquele ar quente que entrava pela janela não era suficiente. O ar condicionado também não, já que me parecia falso e exageradamente modificado. Eu precisava de ar. Simples assim.

Não adiantou respirar fundo, não adiantou abrir a janela do carro e não adiantou ligar o ventilador no máximo quando cheguei em casa. Também não adiantou tomar um banho gelado, nem colocar uma roupa fresca, nem tomar um copo grande de água de coco com bastante gelo. Não adiantou almoçar uma salada fresquinha, nem dar um mergulho na piscina, nem escancarar todas as janelas da casa. Eu continuava sem ar suficiente.

Tentei ignorar o fato. E foi aí que caiu a ficha: eu ignoro muita coisa. Algumas com muita facilidade, outras fazendo um esforço tremendo. Mas ignoro. Guardo. Passo por cima. Esqueço. Relembro. Sinto. Sufoco. Respiro. Ignoro. É um ciclo do qual me dei conta hoje.

Talvez eu nem tenha espaço para o ar. Ando cheia de coisas guardadas, ignoradas e ressentidas tomando espaço dentro de mim. E elas devem estar aí a tanto tempo que, crescidas e sem mais espaço no coração, devem ter se instalado nos meus pulmões. Fuck.

Bom, sem ar não posso ficar. E, forçada assim, é que começo a limpeza. Penso bem no que eu devo jogar fora, penso no que deve ir e no que deve ficar, penso nas coisas que eu posso ignorar e nas coisas que eu não posso mais deixar passar, penso no que eu quero manter, penso no que faz mal e no que faz bem e penso na quantidade de espaço que preciso para o ar poder fluir. E cada um dos quesitos tem seus prós e contras. Achei melhor pegar um caderno para anotar.

Da próxima vez que você se sentir sem ar, questione se é o calor ou se é falta de espaço para ele circular. Garanto, no mínimo, boas reflexões! 🙂

BATATAS FRITAS

E eu resolvi almoçar no L’ entrecôte de Paris, sozinha. Não costumo ir a restaurantes sozinha. Não porque não goste, mas porque quando como sozinha é sempre algo rápido e prático. Mas eu estava com tempo. E hoje, ao invés de pegar uma bandeja de outro bom restaurante qualquer da praça de alimentação (e tinham ótimas opções), eu queria me mimar um pouco mais. Sentar num ambiente mais aconchegante, mais reservado. Ficar comigo.

Preciso dizer que quando almoço sozinha as pessoas me olham de um jeito estranho. Nunca entendi o porque. A garçonete, apesar de simpática, lançou-me este olhar. Só por isso, reparei que era a única, no restaurante cheio, que estava almoçando sozinha. Nem liguei. Me achei o máximo, na verdade.

Aceitei o couvert. Me arrependi logo depois, pois se tratava de um pão com manteiga. Mas comi. Jamais negaria qualquer coisa com manteiga. Depois, veio uma salada de folhas verdes, com nozes e tomate cereja. Um molho bem gostoso junto. E, o astro do restaurante, o prato principal, chegou logo depois. O ponto exato da carne – mal passada, como havia pedido. Um molho absurdamente bom borbulhando por cima. E tipo, toneladas de batata frita.

Até ai, um almoço gostoso. Em minha companhia. Só que aconteceu algo mágico quando eu comi as batatas fritas: meus olhos encheram de lágrimas.
Vocês podem perguntar: “MAS PORQUE VOCÊ CHOROU COMENDO BATATAS FRITAS?” Eu explico.

Não foi porque eu estava sozinha, nem porque as batatas estavam muito quentes. Foi porque eu estava comigo mesma. Estava em contato com toda a minha sensibilidade. E no exato momento que mastiguei as batatas, lembrei da minha mãe. Aquelas batatas fritas me levaram direto para casa.

Fui transportada para a sala da casa da minha mãe, que, muito cuidadosa e carinhosa, sempre prepara um bife com batatas fritas que eu adoro. Ela coloca numa bandeja e escreve eu “eu te amo” no guardanapo. E aquelas batatas fritas eram exatamente iguais a da minha mãe. Mais delicioso que o prato, foi a memória afetiva que ele me provocou. E é uma delícia quando isso acontece.

A VISITA

Eu nasci antes da hora, né? Nasci de 36 semanas, quase 37. Então, digo com propriedade: desde sempre fui ansiosa. Como pode um serzinho que ainda nem nasceu já querer sair atropelando o tempo? Pois é. Nasci com esse peso para carregar. E carreguei não só o peso, como as consequências dele. Dariam toneladas, se eu juntasse tudo o que já carreguei. Mas também não vou me fazer de vítima.

Vou ser sincera: nunca soube esperar. Esperar sempre me trouxe angústia. Sempre tive aquele impulso imediatista, que, como um diabinho, ficava na minha orelha me mandando agir antes da hora. Diabinho mesmo, dos mal intencionados. Eu ouvia a voz. E era incontrolável: quando eu me dava conta, a merda já estava feita.

E eu sempre soube que estava fazendo merda. Merda das grandes, tá? Nunca fui de errar sem saber que estava errando. Pelo menos isso! A culpa que vinha junto dos saquinhos de merda era das grandes também, acho que era por isso que doía. Nem um segundo depois de ter feito a besteira, eu já estava arrependida. Pensava: “Puta que o pariu, Ana Beatriz! De novo? Como você é burra! Não aprende nunca!”.

E cá estou eu, 26 anos depois. Achei que já tinha aprendido. Tinha tempo que não ouvia a voz do diabinho. Achei que eu estava livre dele. Mas não. Ele só estava escondido. Ele é um diabinho sim, mas não é necessariamente ruim. No fim, ele só quer que eu aprenda. Ele é meio folgado, vive enganando a gente… Deixa a gente viver bem e feliz por um tempão e aparece do nada, sem avisar. Êta diabinho que gosta de testes!

E se eu te contar que o diabinho tá aqui sentado comigo no sofá? Juro! Onde eu vou ele vai atrás, acho até engraçado! O dito cujo apareceu na minha casa ontem. No domingo! Não disse que ele era folgado? Ele disse que apareceu porque recebeu um recado meu. Eu andava mesmo fazendo muitas orações sobre este assunto. Alguém ouviu! Fui atendida! (Não da maneira que esperava, mas fui.).

Ele entrou na minha casa e me disse apenas uma coisa:

– “Eu só vou sair daqui quando você descobrir o que deve fazer para me mandar embora. E se você descobrir, eu nunca mais volto. Você ficará livre deste peso. Você, Bia, vai finalmente aprender a lição. Mas você só tem uma chance. Uma só”.

Precisei que algo muito sério acontecesse. Precisei perder. Precisei de um tapa na cara, de uma sacolejada do mundo, de uma dor aguda. Mas foi assim que eu resolvi enfrentar o diabinho. Agora ele está aqui, com um ar de misterioso. Ele também está meio entediado de ter que me acompanhar o tempo todo. E ele acabou virando uma charada. A única coisa que eu penso agora é em como vou fazer para mandar ele embora.

Logo, logo, eu descubro. Já até consigo ignorar quando ele vem me provocar. E quando eu descobrir, posso até vir contar para vocês como foi. Mas acho que não vai fazer muito sentido. Cada um tem o seu diabinho. Cada um tem seus maiores medos, cada um sabe o que tem que aprender para ser melhor do que é, para evoluir, para cuidar de si.

Mas uma coisa é certa: na hora que você se abrir para o aprendizado, o diabinho também vai te visitar. Abra a porta, deixa ele entrar. Enfrenta. Ele não dá medo. Na verdade, ele te enche de coragem.

CANTEIROS

Saí de casa às 7:45. Não costumo sair tão cedo, mas teve que ser assim. E já que o dia começou diferente, resolvi fazer tudo diferente.

Não liguei o rádio do carro. Não quis. Dependendo da música que tocasse, eu ia ficar emotiva. Me conheço. Preferi evitar.

Peguei a Vinte e Três. Parada, claro. Tem coisas que não mudam. Mas resolvi ficar na pista da esquerda, coisa que nunca faço, já que me irrito com os motoqueiros que não deixam você mudar de pista quando precisa.

Quando estava parada na altura do Aeroporto de Congonhas, comecei a olhar o que acontecia em minha volta. Acho que estava cansada de tanto olhar para dentro e decidi olhar para fora, só para variar um pouco e, com sorte, me distrair. Então fiquei olhando pela janela. A minha janela mesmo, do motorista, do lado esquerdo.

Vi pessoas caminhando apressadas do outro lado da rua, vi ônibus lotados e seus passageiros diversos. Pensei: “O que será que estas pessoas estão pensando agora?”. Percebi o quanto sou pequena diante deste mundo. E também pensei que aquelas pessoas poderiam ter problemas muito piores que os meus. Isso não me aliviou, só me tirou o egoísmo.

Depois, reparei em um canteiro de lírios brancos. Nunca tinha reparado que tinha um canteiro de lírios brancos bem no meio da Vinte e Três. Alguns estavam mortos, outros apenas murchos. Mas nenhum estava bonito de verdade, como a gente vê na floricultura. Então eu pensei que podia ser por causa da falta de chuva, ou por causa de todo o lixo que havia em volta do canteiro, ou pela falta de cuidado com as flores, ou porque ali não era um bom lugar para lírios brancos crescerem.

Ufa, o carro andou mais um pouco. Pouco, eu disse. Passou pela minha cabeça o quanto São Paulo é chato por causa do trânsito. Mas, se eu continuasse com esse pensamento, iria enlouquecer. Uma vez, eu surtei dentro do carro por causa disso. Fiquei com tanta vergonha que prometi que não ia mais deixar que o trânsito de São Paulo me irritasse tanto. Se eu deixasse, ia ficar descontrolada todo dia!

Então reparei no Memorial que existe ali do lado do Aeroporto de Congonhas, onde houve aquele acidente horroroso de avião, lembram? A primeira coisa que pensei foi “Que Memorial horroroso, gente. Podiam ter construído algo mais bonito e significativo”. É tudo cinza, mórbido, feio. Podiam tem construído um parque. Podiam ter colocado o canteiro de lírios brancos lá. Ficaria bem melhor.

O trânsito andou de novo. Desta vez, andou bastante. Fui reparando nos canteiros. Sei lá, fiquei encucada com os benditos canteiros. Mas durante o caminho, não havia nenhum, só uma estrutura de metal que servia para separar as pistas. Não gostei daquilo. Também achei feio.

Então comecei a olhar as placas. Sempre fui geograficamente imbecil. Tipo, muito perdida mesmo, sem o menor senso de localização das coisas. Eu sei o caminho. Faço todo dia. Mas resolvi reparar nas placas para eu saber pelo menos o nome do caminho que eu to fazendo. Vai que um dia preciso explicar para alguém, né? Vi a placa que indicava a entrada para o Bairro de Moema. Pensei em coisas boas. Tive saudade. Sorri.

Logo mais a frente, o trânsito parou de novo. E tinha um canteiro! As folhas eram verdes e bem fortes. Pequenas também. E, dos galhos, brotava uma florzinha lilás, muito pequena e delicada. Fiquei olhando florzinha por florzinha e percebi que nenhuma estava inteira. Faltavam pétalas. Então eu pensei, de novo, que ali não era lugar de ter uma flor tão delicada. Os carros passando do lado acabam levando pedaços das coitadas das flores. E, por um momento, fiquei possessa com o responsável por colocar aquele canteiro ali. Será que a pessoa não pensou nisso, gente? Põe, sei lá, uma espada de São Jorge. É forte, não vai se despedaçar toda. Taí, espadas de São Jorge no meio da Vinte e Três.

“FILHA DA PUTA! SAI DA FRENTE CARALHO! DÁ ESPAÇO!”. Era um motoqueiro me xingando. Tá vendo? Por isso que eu não gosto de ficar na pista da esquerda. Me subiu o sangue e eu pensei em xingar de volta. Mas não. Fiz o sangue descer imediatamente. Não vou deixar que um motoqueiro mau educado acabe com o meu dia, ou com a minha paciência, ou com o meu repentino interesse por botânica.

Mudei de pista. Ali na entrada para a Avenida Brasil, reparei em outro canteiro. Também era de lírios. Mas eram lírios brancos e lírios roxos. Um roxo diferente, forte. Os lírios brancos estavam, de novo, murchos ou mortos. Mas os mais escuros estavam bonitos e firmes. Achei aquilo muito esquisito. Se alguém entender alguma coisa de botânica, podia me explicar isso um dia numa mesa de bar.

Depois de entrar na Avenida Brasil, resolvi rezar. Agradecer muito e pedir algumas coisas. Sempre detestei a Avenida Brasil. Mas não tem jeito, preciso passar por ela quase todos os dias. E não é que a vida é igualzinha a Avenida Brasil? Tem coisas que a gente detesta, mas tem que passar por elas, detestando ou não. Então passei rezando, por mim e pelos que amo.

Enfim, passei uma hora e dez minutos dentro do carro. Fiz tudo diferente. Não acho que minha vida tenha mudado por causa dos canteiros, ou por achar soluções para o Memorial ser mais bonito, ou por ter rezado o restante do caminho. Mas acho que minha vida mudou um pouco quando eu consegui olhar as coisas de outro ângulo.

Amanhã, quando estiver na Vinte e Três, vou olhar da janela do passageiro, do lado direito. Só por curiosidade. Vai que é legal assim que nem hoje, né?