AO MEU FUTURO AMOR

Sofro de saudade daquilo que ainda não vivi. Uma saudade insana e imensa. Tenho saudade do aconchego da casa que ainda não é minha, do criado mudo ao lado da cama, dos quadros espalhados pelas paredes, das flores distribuídas pelos cantos. Tenho saudade das lembranças que me serão queridas, do conhecimento que ainda vou adquirir, das experiências que me tornarão cada vez mais forte. Tenho saudade das viagens incríveis que ainda não fiz, das amizades que ainda não se enraizaram, dos momentos de plena felicidade que ainda estão por vir. Mas, principalmente, sinto saudade do amor que ainda não vivi. De você. De nós.

Eu ainda não te conheço muito bem, mas já sinto saudade dos seus olhos pousando nos meus. Olhos que demorei tanto para desvendar, mas que se tornaram tão conhecidos, doces e essenciais. Sinto saudade de dormir e acordar ao seu lado. Saudades de ouvir tua voz rouca pela manhã, mansa durante a tarde e cansada ao anoitecer. Sinto saudades do teu cheiro no meu travesseiro, da toalha molhada esquecida em algum canto da casa, das suas roupas aconchegadas dentro do armário. Sinto saudade de abrir a geladeira e encontrar seu suco preferido, seu café da manhã, almoço e jantar. E saudades de ver a nossa foto, presa com uma imã, ao fechar a porta da mesma.

Sinto saudades do modo pelo qual você me ganha todos os dias. Saudades das surpresas que você me faz. Saudade dos cartões de aniversário que você me escreveu, dos presentes que já me deu, das palavras que já sussurrou no pé do meu ouvido. Saudade dos seus abraços apertados nos momentos de sufoco e soltos nos momentos de felicidade. Saudades da sua mão em meu rosto e da segurança dos teus braços. Tenho saudade até dos teus pés gelados no inverno, que teimavam em encostar nos meus.

Sinto falta do teu sorriso, que surge a cada vez que me vê. Surge arrebatador e perfeito. Surge em todos os nossos momentos de cumplicidade. Saudades dos domingos de chuva ao seu lado, cheios de preguiça e sensibilidade. Dos filmes, das músicas, do cheiro de pipoca invadindo a sala. Sinto falta das nossas conversas sobre o Universo e suas manifestações. Das suas dúvidas sobre física ou química. Das nossas risadas ao compartilhar a ignorância nestes assuntos.

Sinto falta do teu cuidado quando estou doente, do chá que você me serve para me curar da tosse, do edredom que você faz questão que pouse sobre mim nos dias frios. Sinto saudade das tuas mãos delicadas que, todos os dias, me acariciam de maneira leve e amorosa. Sinto saudades do seu interesse em saber como foi meu dia, como foi o meu trabalho, como está a minha vida. Sinto falta dos teus conselhos, das tuas broncas e da tua insistência irritada ao querer fazer eu parar de fumar.

Tenho saudades das tardes que passamos cantando ao som do violão, dos amigos que recebemos em nossa casa, dos restaurantes que frequentamos, das peças de teatro que assistimos, das vezes que fomos ao cinema. Tenho saudades dos porres que tomamos, das vezes que dançamos até o amanhecer, das festas que lembramos até hoje. Saudades das loucuras que já fizemos, da imaginação rolando solta, das declarações inesperadas. Saudades das nossas gargalhadas, que surgiam da nossa mania de se alegrar por qualquer coisa.

Tenho saudade até das nossas brigas. Tenho. Elas sempre acabavam em sorrisos e sinceridade. Tenho saudade dos nossos diálogos, dos nossos planos, das nossas discussões divertidas sobre qual seria o nome dos nossos filhos e qual seria a raça do nosso cachorro. Tenho saudade do nosso respeito, da nossa fidelidade, da nossa liberdade, da nossa lealdade. Tenho saudade de como éramos tão diferentes, mas essencialmente tão iguais. Tenho saudade dos seus defeitos. Até eles me encantam.

Tenho saudade da maneira divertida na qual você implicava comigo, das nossas guerras de travesseiro, do nosso jeito de sermos crianças de vez em quando. Tenho saudade de te admirar. Te ver você crescer. De comemorar casa conquista tua, de te apoiar em cada decisão, de te amar tanto a cada segundo que passa. Tenho saudade do que construímos, do que vivemos, do que prevemos. Tenho saudade de tudo em você.  Da tua estranheza tão parecida com a minha. Do jeito que você anda. Da maneira como pega na minha cintura. Do encaixe do meu corpo com o seu. Do seu riso. Será que está sorrindo agora?

Eu sei que você existe. E sei disso porque sinto a sua falta. Como eu poderia sentir saudades de algo que não conheço? Ah, amor, eu te conheço muito bem. Estou aqui vivendo como se não me importasse com a sua vinda, mas, na verdade, vivo pois estou certa de que haverá o momento do nosso reencontro. Dizem que é sempre bom ouvir a nossa intuição gritar. E a minha já grita por você. Ouça. Entenda. Venha.

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