SINTOMAS DE UM DIA RUIM

A garganta apertou em um nó bem dado, daqueles quase impossíveis – e completamente irritantes – de desatar. O coração estava acelerado, preocupado como sempre. O ar faltou, precisou de um esforço maior para garantir seu oxigênio. Respirava pela boca, procurando por ar como procurava por uma resposta: num desespero sutil.

Respostas… Foi isso! Você sempre querendo respostas, caramba! Chega, cara. Chega, tá ouvindo? Chega de perguntas, chega de respostas, chega de ilusão, de planos, de expectativas. Põe o pé no chão, garota. A realidade é bem diferente do mundo que você criou para ti. Alguma vez você teve as respostas que esperava na vida? Não. E porque acha que agora vai ter? Para de ser idiota. De novo.

O estômago incomodou. Parecia que estava sendo comprimido entre mãos extremamente quentes. Algo ácido também ocorreu: essa intuição que sempre chega forte, chega dando recados, chega com a realidade escancarada e nem se importa se você quer lidar com isso agora ou não. Amarga. Dá para sentir o gosto.

A mente sofre uma pequena e desconfortável explosão: pensamentos, lembranças, críticas. A razão, coitada, que está tão em desuso, não funcionou direito quando precisou. Acontece tudo ao mesmo tempo, como se nossos pensamentos todos se misturassem em uma batedeira, assim como se misturam ingredientes para um bolo. Dá tontura. Enjoo.

Ela tem certeza que o problema é com ela. Andou se odiando esses dias todos, querendo sair do seu corpo e da sua intensidade e sensibilidade extremas. Seria cômico se não fosse trágico. Neste momento, a angustia chegou para a acompanhar e foi ministrada em doses cavalares. Corria pelas veias, inundando-a. Ela não aguentou: caiu. A lágrima caiu, sim, acompanhando as curvas de seu rosto com uma lentidão sofrida.

Mas se só as lágrimas caíssem, não teria problema. Acontece que junto com cada uma destas gotas salgadas caia uma esperança, uma lembrança, um olhar, um carinho. Caiam certezas, caiam sorrisos, caiam fragmentos de uma pseudo-realidade. Escorria a lágrima, escorria o futuro, escorria ela, escorria tudo.

O gosto de sal na boca.

A sensação dos olhos molhados.

O silêncio.

O vazio.

Escorrem, escorrem, escorrem.

E calam.

Sintomas de um dia ruim, acontece. Que amanhã seja doce… Hoje fico com o meio amargo. Até saber o que fazer.

 

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s