E SE?

E um dia desses, antes de dormir, fiquei pensando nos “e se” da minha vida. E se eu tivesse terminado a faculdade de direito? E se eu tivesse insistido em mais um ano de cursinho para entrar em medicina? E se eu tivesse entrado em medicina? E se eu não tivesse terminado aquele namoro? E se eu tivesse aceitado aquele convite? E se eu tivesse ido naquela balada? E se eu tivesse ido viajar? E se eu não saísse da casa dos meus pais? E se eu não tivesse parado de trabalhar? E se eu não tivesse engolido tantos sapos? E se eu tivesse feito outras escolhas? E se? E se? E se? Em que lugar eu estaria agora?

Foi depois de ler uma crônica gracinha do ilustre Luís Fernando Veríssimo que comecei a pensar nisso. Nos primeiros minutos de reflexão, quase fiquei maluca. Me dei conta de quantas escolhas importantes já fiz na vida. E também me dei conta de que poderia ser uma pessoa completamente diferente da que sou hoje, se tivesse vivido de outra maneira. Fiquei chocada quando me dei conta de quantas vezes fiquei frente à bifurcações, quantas vezes tive que escolher um caminho e abandonar outro, quantas vezes tive que decidir, rapidamente, o que iria fazer da minha vida naquele determinado momento.

Queria, como Verissimo fez, encontrar todos os meus “eus” para tomar uma cerveja em um bar qualquer. Queria encontrar a Bia médica e saber como estavam indo as coisas. A Bia advogada, para perguntar se ela estava trabalhando demais. A Bia casada, para saber se ela estava se sentindo amada. A Bia mãe, para perguntar se um filho é mesmo a melhor coisa do mundo. A Bia viajada, para saber todas as histórias dela pelo mundo afora. A Bia hippie, para saber mais sobre a vida como ela é. A Bia cult, para entender mais sobre assuntos densos. A Bia patricinha, para saber o que anda na moda…  É. Eu queria mesmo encontrar as Bias correspondentes à cada escolha, cada caminho. Procurei fazer este encontro mentalmente. Foi uma mistura de sentimentos. Foi engraçado e um pouco angustiante. Mas foi uma boa viagem. Um bom encontro. Levei dias me divertindo com cada rumo que minha vida poderia ter tomado.

E, quer saber? Deste encontro, levo a certeza de que viver presa ao passado não é viver, nem ao menos existir. É só um recordar. Levo a certeza de que as escolhas que fiz não poderiam ter sido melhores, já que os aprendizados que tive com elas foram essenciais para que eu me tornasse a mulher que sou hoje. Levo a certeza de que nada é por acaso: olhando para trás, as coisas se encaixam como um quebra cabeças. E mais: desta reflexão toda sobre minhas infinitas possibilidades, levo a certeza de que ainda ficarei frente à muitas outras opções de vida. E que sempre serão as melhores, mesmo que sofridas, mesmo que difíceis, serão sempre as melhores. Eu estou exatamente onde deveria estar.

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