O LADO RUIM

Tem dias que eu preciso escrever para desabafar. Não sei exatamente sobre o que vou escrever, se terá um tema coeso e bem estabelecido, se será bem compreendido pelos leitores ou não. Mas também não importa. O intuito de escrever agora é colocar o que estou sentindo para fora, expulsando de dentro de mim possíveis angústias e preocupações.

Acordar com a garganta apertada nunca foi um bom sintoma. Na verdade, acho que ocorre quando me falta controle da situação. Sempre que me vejo perdida e sem respostas, sufoco. Sufoco quando as respostas não estão em mim, e sim no outro. Sufoco quando a boca alheia se cala de um dia para o outro, sufoco quando a rotina muda abruptamente, sufoco quando não sei ao certo o que está acontecendo. É um sufoco esse tal de não saber!

É um estado de enjoo. Misturam-se sentimentos antônimos: paciência e irritação, calma e nervosismo, paz e angústia, segurança e insegurança. Os pensamentos passeiam acelerados pela cabeça e se encarregam de vasculhar cada cantinho, procurando por possíveis erros que tenhamos cometido. A sede por respostas acaba encontrando erro em tudo, até no que é acerto. Acaba por me anular quase que completamente e por declarar a minha inutilidade. O estômago pesa com as dúvidas. O coração rasga com o medo da perda. A cabeça é metralhada por perguntas sem resposta.

Me sinto impotente. A razão e a emoção brigam como duas inimigas mortais. A intuição perde a força e é quase imperceptível. Não sei mais o que é real e o que é neurose. Acho que essa é a pior parte de mim. Acho que, no momento, estou mostrando meu pior lado, minha pior cara. É assim que ajo quando fico vulnerável. É assim que ajo sem a segurança das respostas. É assim que reajo ao que eu costumo chamar de rejeição.

Quase que instantaneamente, começo a me desculpar. Uma insegurança besta que insiste em aparecer e foge do meu controle. Acho que está tudo errado. Acho que, mais uma vez, eu estraguei tudo simplesmente por ser quem eu sou. Mas não, desta vez não vou me render a isso. Não, desta vez não vou deixar que sombras e resquícios de um passado mal assombrado cubram o presente tão mais iluminado.

Sei quem sou, sei o que sinto, sei porque ajo da maneira que ajo. Sei que não tem maldade, sei que não tem intenção de prender, sei que se trata de preocupação e cuidado. Sei também que tudo pode ser interpretado de maneiras diversas e que, por uma infelicidade qualquer, possa ser uma interpretação ruim. Mas nada como diálogo e sinceridade para resolver problemas cotidianos. Nada como o tempo para curar corações machucados. Nada como a verdade para unir. Para reunir. Para eternizar. Calma linda, tá tudo bem!

No final das contas, era sofrimento por antecipação. Era um enfrentamento de uma situação desconhecida: era a primeira vez. Era um aprendizado. Era preocupação em excesso. Eram traumas e mais traumas querendo invadir um lugar para o qual não foram convidados. No final das contas, era uma sombra minha querendo lembrar-me de que o outro lado também existe. E eu não tenho medo da exposição. Tenho, na verdade, orgulho de poder revelar – sempre intensamente – do que sou composta. Qualidades, defeitos e pólos opostos. Não esconderei nada. Verás sempre a verdade de mim: o lado bom e o lado ruim.

 

 

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