É que eu preciso dizer que te amo

O nosso eu te amo não foi um clichê. E continua não sendo. Nunca foi dito da boca para fora, nunca foi escrito em post-its, nunca veio logo depois do boa noite no whatsapp. Deve ser porque este amor seja único, diferente de todos os que já tive. Único? Sim, único. O nosso eu te amo não é falado. Já descobrimos que palavras não valem nada se não vierem acompanhadas de atitudes. Nosso amor está nos detalhes, no dia-a-dia. Nosso eu te amo é palpável.

Você diz que ama toda vez que acorda do meu lado, me dá um beijo de bom dia e fica um tempão enrolando debaixo das cobertas. Também diz que me ama quando pede desculpas por abrir a janela ou acender a luz, já que sabe que eu não sou muito fã de claridade quando estou despertando.

Você diz que me ama quando eu me arrumo logo depois de sair do banho e, depois de me olhar por algum tempo e me fazer algum elogio, você pergunta “É seu aniversário?” – e eu, envergonhada, respondo baixinho que não (ou que sim, depende do humor) – para logo depois ouvir você dizer “Você tá de parabéns!”.

Você diz que me ama todas as vezes que chegamos em casa e você finge que perdeu a chave, só para tentar me assustar. Ou qualquer outra vez que você tenta mentir, mas não consegue, rendendo ótimas risadas e bons filmes gravados no celular.

Você diz que me ama toda vez que pede para eu escolher o filme, escolher o canal, escolher o bar, escolher o restaurante, escolher a mesa, escolher o prato, escolher… Mesmo sabendo que a minha resposta é sempre “tanto faz”.

Você diz que me ama toda vez que divide a sua vida comigo, toda vez que me leva para os encontros de família, toda vez que me coloca nos seus planos futuros, toda vez que me pede opinião sobre alguma coisa, toda vez que me conta do seu passado, da sua infância, da sua adolescência, do seu trabalho, do seu mundo.

Você diz que me ama sempre que cuida de mim quando estou doente, sempre que me faz fazer inalação quando estou gripada, sempre que passa pomada nos roxos que faço sendo distraída por aí, sempre que faz massagem quando tenho dor nas costas e sempre que prepara uma bolsa de água quente quando tenho cólicas. Também diz que me ama quando, em todos estes casos, me oferece um remédio – mas segundos depois lembra que eu sou alérgica e procura outra alternativa.

Você diz que me ama todas as vezes que dirige meu carro, pois sabe que eu detesto dirigir. Também diz que me ama toda vez que vai comigo ao posto de gasolina e me ensina a trocar o óleo, trocar o filtro de ar ou arrumar qualquer coisa que seja no meu carro, pois sabe que eu não faço a menor ideia de como fazer essas coisas.

Você diz que me ama toda vez que me dá um presente. Não pelo material em si, mas em como você tem a sensibilidade de observar tudo o que eu gosto e traduzir em um objeto. Você também diz que me ama – e muito – quando faz surpresas no dia do meu aniversário e me faz sentir a mulher mais incrível do mundo.

Você diz que me ama toda vez que aguenta a minha terrível TPM, toda vez que passa o domingo inteiro de preguiça em casa comigo, toda vez que reclama que eu não estou dormindo perto o suficiente, toda vez que fica com ciúmes por eu gostar de dormir abraçada no travesseiro (e não em você) e toda vez que passa de fase para mim no candy crush.

Você diz que me ama toda vez que dançamos juntas, em público ou sozinhas, com ou sem música. Você diz que me ama toda vez que lembra de mim ouvindo Bruno Mars. Você diz que me ama toda vez que me chama de Amy Winehouse quando bebo demais ou quando me dá apelidos baseados nos nossos seriados favoritos.

Você também diz que me ama quando não assiste “Game of Thrones” sem que eu esteja junto, já que isso seria a pior das traições. Falando nisso, você diz que me ama no quão honesta é, no quão fiel é e na importância que dá para a nossa relação.

Você diz que me ama todas as vezes que me olha nos olhos, todas as vezes que me abraça e toda vez que se refere a mim como “minha mulher”. Você diz que me ama toda vez que me deixa cuidar das suas filhas, me dando a alegria de ser madrasta de um cachorro e um gato.

Você diz eu te amo na nossa convivência, no quanto é bom estar ao seu lado mesmo quando não estamos fazendo nada. Você diz eu te amo o tempo todo. Até quando brigamos bêbadas, passamos vergonha, mas caímos na gargalhada depois.

Hoje eu preciso dizer que te amo. Mas, mais uma vez, escolhi não dizer de forma clichê. Obrigada por cada “eu te amo” desses e por deixar meu coração quentinho todos os dias.

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