FALTA DE AR

Acordei precisando respirar. Obviamente, estava tudo bem com as minhas vias respiratórias, mas algum bloqueio, vindo de algum lugar, me fechava a garganta. Precisava respirar mais ar do que aquele que chegava aos meus pulmões nesta manhã. O calor escaldante que anda fazendo na cidade de São Paulo veio atrapalhar bastante esta tarefa. Aquele ar quente que entrava pela janela não era suficiente. O ar condicionado também não, já que me parecia falso e exageradamente modificado. Eu precisava de ar. Simples assim.

Não adiantou respirar fundo, não adiantou abrir a janela do carro e não adiantou ligar o ventilador no máximo quando cheguei em casa. Também não adiantou tomar um banho gelado, nem colocar uma roupa fresca, nem tomar um copo grande de água de coco com bastante gelo. Não adiantou almoçar uma salada fresquinha, nem dar um mergulho na piscina, nem escancarar todas as janelas da casa. Eu continuava sem ar suficiente.

Tentei ignorar o fato. E foi aí que caiu a ficha: eu ignoro muita coisa. Algumas com muita facilidade, outras fazendo um esforço tremendo. Mas ignoro. Guardo. Passo por cima. Esqueço. Relembro. Sinto. Sufoco. Respiro. Ignoro. É um ciclo do qual me dei conta hoje.

Talvez eu nem tenha espaço para o ar. Ando cheia de coisas guardadas, ignoradas e ressentidas tomando espaço dentro de mim. E elas devem estar aí a tanto tempo que, crescidas e sem mais espaço no coração, devem ter se instalado nos meus pulmões. Fuck.

Bom, sem ar não posso ficar. E, forçada assim, é que começo a limpeza. Penso bem no que eu devo jogar fora, penso no que deve ir e no que deve ficar, penso nas coisas que eu posso ignorar e nas coisas que eu não posso mais deixar passar, penso no que eu quero manter, penso no que faz mal e no que faz bem e penso na quantidade de espaço que preciso para o ar poder fluir. E cada um dos quesitos tem seus prós e contras. Achei melhor pegar um caderno para anotar.

Da próxima vez que você se sentir sem ar, questione se é o calor ou se é falta de espaço para ele circular. Garanto, no mínimo, boas reflexões! 🙂