PARA A MULHER DA MINHA VIDA

Nasci no dia do aniversário dela. Nos demos de presente uma para a outra. O presente mais precioso que existe. A partir dali, daquela noite em maio de 1988, nascia a relação de amor mais bonita da minha existência. Um amor imenso e arrebatador entre uma mãe e uma filha.

Eu sempre fui apaixonada pela minha mãe. Ela sempre foi meu exemplo, sempre foi meu espelho, sempre foi a melhor amiga que eu poderia ter. Quando pequena, tinha tanto ciúme dela que não deixava ninguém chegar perto. Nosso amor foi sempre assim: forte.

Ela é fonte de amor, é fonte de beleza, é fonte de um instinto maternal imenso. É tanta admiração que tenho por esta mulher, que fica difícil colocar em palavras. Talvez a palavra que defina um pouco do quentinho que sinto no meu peito quando penso em você, mãe, seja gratidão.

Sou grata por seu cuidado, pela sua maneira maluca de se preocupar, por me dar todo o carinho que existe em você. Agradeço por olhar por mim, por querer meu bem, por fazer de tudo para que eu alcance meus objetivos. Agradeço por me dar colo, por enxugar minhas lágrimas, por ouvir tudo o que eu tenho para contar. Agradeço por dividir a sua alma comigo, por ser a minha melhor amiga, por esperar – pacientemente (e de maneira angustiada, que eu sei) – eu me encontrar.

Você está em mim. Está nos meus olhos grandes e escuros. Está nos meus cílios compridos. Está em cada pedaço de mim. Está em todos os valores que herdei de você, está na mulher que me tornei, está presente em cada célula do meu corpo. Você carrega tantas coisas lindas, mãe, que é impossível não se apaixonar.

Você é a mulher da minha vida, o meu amor maior e mais bonito. Você me enche de orgulho, por ser quem é. Por cuidar do mundo, como se cada habitante dele fosse um filho seu. Por espalhar amor por onde anda. Por ser humana, sensível, generosa, inteligente, companheira, mãe, mulher, amiga. Eu te amo, enlouquecida e profundamente.

Eu estarei sempre aqui, sendo filha e sendo mãe. Eu estarei aqui para cuidar de você, para te ouvir, para te proteger, para te amar, para te dar colo, para me emocionar, para te apoiar, para sermos – sempre – uma só.

Obrigada, minha linda, meu amor, por tudo! Eu e você sabemos a relação que temos. A sua menininha está aqui de novo, acredite. Obrigada por me aceitar, por me defender, por me respeitar, por me apoiar e por querer, acima de toda e qualquer coisa, me ver verdadeiramente feliz. Você sempre me disse que esse dia ia chegar. E você sempre está certa. Chegou.

 

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YAKULT

Desde criança, tenho paixão por Yakult. E quem não tem? É algo como a oitava maravilha do mundo. Eu lá, pequenininha, enfrentei a minha primeira grande revolta com o Universo: porquê o Yakult era tão pequeno? Uma garrafinha mignon contendo 65ml do líquido sagrado. Um absurdo. Para mim, poderia ser como garrafa de Coca-Cola, de 2 litros. Eu ia tomar copos e copos de Yakult por dia e ser muito feliz.

Ledo engano. Todos sabemos que a melhor parte no processo de tomar um Yakult é aproveitar cada gotinha dele. É passar por aquele processo lento e intenso de saborear gole por gole do conteúdo daquela garrafa. Sabemos que a quantidade é escassa, sabemos que vai acabar antes do que gostaríamos que acabasse, então, precisamos aproveitar cada gota dele. Eu jamais abri o Yakult pela tampa de alumínio, acho um desperdício. Fazia um furinho no fundo da pequena garrafa de felicidade, para que durasse mais, para que eu driblasse o tempo e as consequências deste.

Foi dia destes que entendi que não seria bom ter uma garrafa de 2 litros de Yakult. Claro que nos primeiros dias seria incrível. Algo comparado aos primeiros dias de uma paixão bem vivida. Tomaria várias garrafas, sem me preocupar em cometer excessos. Mas e depois? Certamente enjoaria, me afastaria, me absteria. Certamente ia perder a magia. Yakult não foi feito para tomar em excesso. Ele foi fabricado no tamanho exato para te forçar a ter paciência e conter seus impulsos.

E você é meu Yakult. É tão bom, que dá vontade de tomar tudo de uma vez. Tão bom, que eu gostaria que se multiplicasse nos meus dias. Tão bom que tornou-se preferência: um vício intenso e delicioso. Tão bom, que, pela primeira vez na vida, quero conter. Quero calma, quero em pedaços, quero um capítulo de cada vez. Tão bom, que cada gole satisfaz como litros me satisfariam. Já fizemos o furinho embaixo. Já tomamos uns 2 ml. Mas ainda temos 63 pela frente. Podemos começar a tomar outra garrafinha quando esta acabar. Mas, sempre assim, devagarinho. Afinal, temos todo o tempo do mundo, não é?

 

AO MEU FUTURO AMOR

Sofro de saudade daquilo que ainda não vivi. Uma saudade insana e imensa. Tenho saudade do aconchego da casa que ainda não é minha, do criado mudo ao lado da cama, dos quadros espalhados pelas paredes, das flores distribuídas pelos cantos. Tenho saudade das lembranças que me serão queridas, do conhecimento que ainda vou adquirir, das experiências que me tornarão cada vez mais forte. Tenho saudade das viagens incríveis que ainda não fiz, das amizades que ainda não se enraizaram, dos momentos de plena felicidade que ainda estão por vir. Mas, principalmente, sinto saudade do amor que ainda não vivi. De você. De nós.

Eu ainda não te conheço muito bem, mas já sinto saudade dos seus olhos pousando nos meus. Olhos que demorei tanto para desvendar, mas que se tornaram tão conhecidos, doces e essenciais. Sinto saudade de dormir e acordar ao seu lado. Saudades de ouvir tua voz rouca pela manhã, mansa durante a tarde e cansada ao anoitecer. Sinto saudades do teu cheiro no meu travesseiro, da toalha molhada esquecida em algum canto da casa, das suas roupas aconchegadas dentro do armário. Sinto saudade de abrir a geladeira e encontrar seu suco preferido, seu café da manhã, almoço e jantar. E saudades de ver a nossa foto, presa com uma imã, ao fechar a porta da mesma.

Sinto saudades do modo pelo qual você me ganha todos os dias. Saudades das surpresas que você me faz. Saudade dos cartões de aniversário que você me escreveu, dos presentes que já me deu, das palavras que já sussurrou no pé do meu ouvido. Saudade dos seus abraços apertados nos momentos de sufoco e soltos nos momentos de felicidade. Saudades da sua mão em meu rosto e da segurança dos teus braços. Tenho saudade até dos teus pés gelados no inverno, que teimavam em encostar nos meus.

Sinto falta do teu sorriso, que surge a cada vez que me vê. Surge arrebatador e perfeito. Surge em todos os nossos momentos de cumplicidade. Saudades dos domingos de chuva ao seu lado, cheios de preguiça e sensibilidade. Dos filmes, das músicas, do cheiro de pipoca invadindo a sala. Sinto falta das nossas conversas sobre o Universo e suas manifestações. Das suas dúvidas sobre física ou química. Das nossas risadas ao compartilhar a ignorância nestes assuntos.

Sinto falta do teu cuidado quando estou doente, do chá que você me serve para me curar da tosse, do edredom que você faz questão que pouse sobre mim nos dias frios. Sinto saudade das tuas mãos delicadas que, todos os dias, me acariciam de maneira leve e amorosa. Sinto saudades do seu interesse em saber como foi meu dia, como foi o meu trabalho, como está a minha vida. Sinto falta dos teus conselhos, das tuas broncas e da tua insistência irritada ao querer fazer eu parar de fumar.

Tenho saudades das tardes que passamos cantando ao som do violão, dos amigos que recebemos em nossa casa, dos restaurantes que frequentamos, das peças de teatro que assistimos, das vezes que fomos ao cinema. Tenho saudades dos porres que tomamos, das vezes que dançamos até o amanhecer, das festas que lembramos até hoje. Saudades das loucuras que já fizemos, da imaginação rolando solta, das declarações inesperadas. Saudades das nossas gargalhadas, que surgiam da nossa mania de se alegrar por qualquer coisa.

Tenho saudade até das nossas brigas. Tenho. Elas sempre acabavam em sorrisos e sinceridade. Tenho saudade dos nossos diálogos, dos nossos planos, das nossas discussões divertidas sobre qual seria o nome dos nossos filhos e qual seria a raça do nosso cachorro. Tenho saudade do nosso respeito, da nossa fidelidade, da nossa liberdade, da nossa lealdade. Tenho saudade de como éramos tão diferentes, mas essencialmente tão iguais. Tenho saudade dos seus defeitos. Até eles me encantam.

Tenho saudade da maneira divertida na qual você implicava comigo, das nossas guerras de travesseiro, do nosso jeito de sermos crianças de vez em quando. Tenho saudade de te admirar. Te ver você crescer. De comemorar casa conquista tua, de te apoiar em cada decisão, de te amar tanto a cada segundo que passa. Tenho saudade do que construímos, do que vivemos, do que prevemos. Tenho saudade de tudo em você.  Da tua estranheza tão parecida com a minha. Do jeito que você anda. Da maneira como pega na minha cintura. Do encaixe do meu corpo com o seu. Do seu riso. Será que está sorrindo agora?

Eu sei que você existe. E sei disso porque sinto a sua falta. Como eu poderia sentir saudades de algo que não conheço? Ah, amor, eu te conheço muito bem. Estou aqui vivendo como se não me importasse com a sua vinda, mas, na verdade, vivo pois estou certa de que haverá o momento do nosso reencontro. Dizem que é sempre bom ouvir a nossa intuição gritar. E a minha já grita por você. Ouça. Entenda. Venha.